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26/02/2010 - DESARMADOS PELO GOVERNO - CUBANOS SOFREM COM ONDA DE ROUBOS
Veículo: Agência Viva Brasil / Veiculação: On-line - http://www.desdecuba.com/generaciony_pt/?p=917#comments
À noite vigia as fileiras de manga plantadas e a criação de carneiros, com uma escopeta curta de fabricação caseira. É a obra de um improvisado armeiro que soldou um pedaço de cano de diâmetro curto numa culatra rústica da qual sobressai o percusor irregular. Basta o estampido - no meio da madrugada - do tiro do artefato engenhoso para que os que pretendem roubar-lhe a colheita saiam correndo. Quando a porca está parida, chama um irmão que vive no povoado e acompanhados daquela invenção - criada pela necessidade - fazem guarda até que o sol nasça.

Muitos camponeses usam armas ilegais que foram compradas ou produzidas de forma alternativa. Sem elas o fruto de meses de trabalho poderia terminar nas mãos dos “depredadores” de semeaduras, sombras evasivas que se movem na obscuridade. As penúrias aumentaram os roubos nos campos cubanos e obrigado os locais a salvaguardarem, eles mesmos, os seus recursos. Daí que proliferem os cães agressivos e as escopetas manufaturadas, especialmente nos sítios onde existem vacas. A libra de carne de rês é vendida por dois pesos conversíveis no mercado negro que se nutre do furto e abate ilegal, apesar das condenações à longas penas de cárcere em que estes delitos resultam.

Para os guardiões do próprio, foi uma surpresa o anúncio oficial de que “em caráter excepcional e só por uma vez (…) as pessoas naturais e residentes na Ilha que tenham armas de fogo em seu poder, sem a correspondente licença, poderão obter o registro”. Existe, com certeza, a convicção tácita de que quem torne pública semelhante posse, obterá o confisco como resposta. Ante esse temor, poucos confessarão que guardam o frio metal em algum lugar da sua casa e continuarão preferindo o risco de não terem os papéis à insegurança de ficarem sem proteção. Para nosso alarme, esses instrumentos rústicos também servem aos que, sem ter sítio nem animais que preservarem, espiam do outro lado da cerca, dispostos inclusive a disparar para levar o alheio.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto
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